„Diversidade pode nos ajudar a sair da crise“

„Meu nome é Margrit Kennedy eu, no decorrer dos meus mais de 40 anos de atividade profissional, me desenvolvi, passando de uma arquiteta de casas normal a uma arquiteta do dinheiro, que agora já há mais 26 anos se dedica à questão monetária, porque eu identifiquei, em 1982, que os projetos ecologicos que nós queríamos realizar no contexto da Exposição Internacional da Construção, na qual eu era responsavel pela área de Ecologia e Energia, por todo lado trombavam com um argumento, o qual eu de início não entendia em absoluto, que era „é tudo muito bom, isso o que a senhora faz, mas não é viável“

Então eu me perguntei, o que eles querem dizer, realmente? já estava claro para mim naquela época que nós ainda não tinhamos escala, na área ecológica, e que todas as diretrizes de financiamento e jurídicas estavam contra, mas eu sabia que havia alguma coisa nesse argumento que eu não entendia, e um dia eu ouvi uma palestra de Helmut Creutz, e eu chequei à conclusão que de fato, há uma contradição insuperável no sistema monetário atual, entre o que é viável economicamente e o que nós queremos ecologicamente.

O que significa, então a crise financeira atual? A crise, na verdade, é exatamente isto que eu percebi, há 26 anos, isto é, que a cada 40 até 60 anos, o dinheiro e o que pode ser produzido na esfera real da economia se defasam.

e eu mostrei isto, pode-se, na verdade, explicar isto em poucos minutos, o fato de que o dinheiro cresce de forma exponencial e tudo o que cresce na economia real em algum momento se estabiliza em um „ponto de ótimo“, começando pelo nosso corpo, que aos 21 anos para de crescer, arvores, animais, tudo para de crescer em um „ponto de ótimo“, ao passo que o dinheiro continua crescendo.

O que é que se passa com o dinheiro? No começo, o crescimento exponencial do dinheiro ainda é perfeitamente financiavel, mas existe um ponto, a partir do qual, logicamente, não é mais possível financiar, e aí o sistema começa a se retroalimentar, pode-se dizer, quer dizer, o dinheiro faz mais dinheiro a partir de dinheiro, isto é, é aplicado em especulação financeira, em vez de investido na esfera real, que já não dá o que se espera, e vai aos borbotões até um ponto tão absurdo que até mesmo o mais burro percebe, que já não existe mais segurança alguma.

Então o que é que está errado com o sistema financeiro atual? O dinheiro só funciona no curto e no médio prazo, no longo prazo não pode funcionar. E ao mesmo tempo, a forma como esse mecanismo dos juros atua de fato, que no final das contas em todos os preços há juros embutidos, fato que a maioria das pessoas nem consegue compreender. E em terceiro lugar, o fato de que no sistema só 10% lucram, e 80% das pessoas pagam o tempo todo, o dobro do valor em juros nos preços que elas pagam do que elas recebem em seus depósitos remunerados, poupança, seguro de vida etc. Ou seja, a grande maioria das pessoas perde dinheiro ininterruptamente, para uma pequena minoria.

Diversidade seria uma alternativa possível? O sistema monetário atual tem um objetivo principal, que é: a partir de dinheiro fazer mais dinheiro. E tudo o que não servir a este objetivo, é muito difícil de ser superado, seja em objetivos sociais, ecologicos ou culturais e se a gente agora desenvolver moedas que possam ser colocados a serviço destes objetivos, pode-se dizer como pessoa comum, ok, eu vou adreir a essa moeda regional, que prioritariamente dá sustentação a essa regiao, ou uma moeda educacional, que está voltada principalmente pro setor educacional, existem moedas da área da saúde e assim por diante.

O que a senhora sugere como primeiro passo para sair da crise? Nós temos nesse momento uma sugestão, que na minha opinião poderia ser muito importante, que é, nesses tempos de crise, introduzir um modelo que na Suíça já faz 70 anos que funciona, o chamado sistema WIR, que é na pratica uma moeda complementar que as pequenas e médias empresas, há 70 anos, em 1934 para ser exata, começaram. E esse sistema WIR se expandiria na Europa, dando às empresas nesses tempos de crise a possibilidade de concederem crédito reciprocamente, e com isso os créditos bancarios que no momento cada vez mais estão escassos, os bancos precisam reduzir seus créditos para de alguma forma fazer suas contas baterem novamente, com os empresarios e as empresas emprestando uns aos outros, com isso, na pratica podem se virar sem os bancos.

O que o WIR dá às empresas? As empresas na verdade são quem, no momento, têm entendimento para o que elas terão pela frente, e podem tomar medidas para ajudarem a si mesmas, semelhantes às do sistema WIR, isso ocorreu nos anos 30, quando imperava a mesma situação na Europa, e foi fundado o sistema WIR, por empresarios na Suíça, e nossa idéia é nos voltarmos para os empresários na Europa, para explicar essa possibilidade e temos esperança que isso evolua para uma moeda paralela, um novo sistema WIR europeu, que ajude as empresas a puxarem pelo próprio cabelo e assim sair do atoleiro e das dificuldades, e… que os governos apoiem o WIR na medida em que as empresas disponibilizem bens e servicos, aceitando o WIR no pagamento dos impostos e taxas, de forma que possa se criar uma circulação com esse novo sistema monetário.“

Übersetzung von Lolita Sala, 2010